• Noemia Colonna

Me dê razões para aprender uma nova língua

Atualizado: 8 de Dez de 2019

Estou no início do meu processo de aprender o alemão que, em um futuro incerto e sem pressa, deverá ser a quarta da minha lista de domínio de línguas estrangeiras. O português é minha língua materna, o inglês minha segunda mais fluente, e me comunico bem ainda em espanhol e em italiano.

Sim, eu sei que o alemão é uma bela e dura língua e o caminho para dominá-la pode até ser difícil pela opinião média dos estudantes, mas não é impossível, pelo menos, de se familiarizar com seus sons guturais e estruturas gramaticais que mais parecem um quebra-cabeça.

Este vídeo hilário aqui confirma minhas impressões sobre a língua de Goethe.




Na minha turma de alemão há estudantes de diferentes países, como Estados Unidos, Índia, Rússia, Bulgária, Turquia, Vietnã, Itália e Brasil, é claro.


Eu tenho uma colega do Vietnã que fala muito bem o alemão para uma iniciante, mas seu sotaque torna sua fala extremamente difícil de compreender. Fico chocada com sua capacidade de aprender tão rápido e falar tão fluentemente, mesmo quando quase ninguém consegue entendê-la, exceto minha professora.


Comento com ela sobre isso e Frau me dá uma explicação interessante: “Para aprender um idioma, você deve ter um forte motivo. Quando você chega em um país e precisa com urgência conseguir um emprego e nele permanecer, é bem provável que seu processo de aprendizado será mais rápido do que o de alguém que não precisa enfrentar nada disso”.


A explicação fez muito sentido para mim e me levou a pensar em quais seriam os fortes motivos que me levaram a aprender as línguas que falo hoje, além do português.


Eu comecei a estudar inglês aos 18 anos. O motivo foi minha paixão por viagens. Quando fiz a minha primeira sozinha começando por Salvador, na Bahia, encontrei viajantes de várias partes do mundo. No grupo em que eu estava, apenas uma menina falava inglês e só ela conseguia se divertir e se comunicar com quem quisesse. Confesso que senti uma ponta de inveja ao ver o grau de sua independência pelo simples fato de saber se comunicar em uma língua mais universal. Não deu outra. Logo entendi que, se eu quisesse expandir minha visão de mundo, precisaria aprender inglês o mais rápido possível.


Comecei a ter aulas de inglês e, em seguida, acabei arrumando um namorado londrino. Ganhei mais um motivo forte para aprofundar no aprendizado da língua. Fui a Londres com ele em minha primeira viagem internacional. Chegando lá, fiquei deslumbrada com tantas novidades, a melhor delas, livros por toda parte: livrarias, sebos e feiras de rua. Ao passar os dedos por todos aqueles livros em inglês, cujo conteúdo eu não podia dominar, prometi a mim mesma que, ou eu leria nesta língua, ou continuaria a perder inúmeras histórias por não falar e nem ler em inglês decentemente.


E assim foi. Hoje, além de um mestrado feito 100% em inglês, já perdi a conta do grande número de livros lidos e conhecimentos adquiridos por dominar esta língua.



Meu terceiro idioma, o italiano, foi aprendido pelo único e romântico motivo de poder falar com a família do meu ex-marido italiano, e funcionou muito bem. Aprendi a língua durante as várias viagens feitas ao sul da Italia, e em casa tendo o pai do meu filho como professor, colocando-me em contato com os sons de “r‘s” intensivos e a melodia dessa língua tão divertida e macarrônica que eu adoro.


Já o espanhol veio por causa do meu amor pelo tango. A dança me levou a passar dois meses em Buenos Aires aprendendo o “ocho cortado” e, ao mesmo tempo, a língua castelhana italianada falada pelos hermanos. Aprendi e não parei mais de praticá-la, seja conversando com amigos falantes de espanhol, ou lendo, ou assistindo um belo filme de Almodóvar.


E o alemão? Qual é o meu forte motivo para aprender um idioma tão desafiador, quando não preciso dele para conseguir um emprego, fazer novos amigos, ler novos livros ou conversar com a família de meu atual marido que, graças a Deus, é carioquíssima da gema?


Resposta simples: minha maternidade.


Mein Sohn und ich lächeln auf Deutsch (olha a gente sorrindo em alemão!)

Vindo para a Alemanha com um filho adolescente que precisa aprender o idioma o mais rápido possível para fazer o ensino médio em inglês e alemão, é importante estar ao seu lado, enfrentando as mesmas dificuldades, mesmo quando sei que seu processo de aprendizado será muito diferente e bem mais rápido que o meu por razões óbvias de idade e de neurônios cerebrais novinhos em folha.


Mas não importa. Se os filhos aprendem pelo exemplo dos pais, então, aqui estou eu para colocar a teoria em prática. Vale dizer que, pelo menos, quando não estamos sofrendo com nossos deveres de casa, nos divertimos muito com as descobertas incríveis da estrutura linguística e gramatical desta língua tão única e tão sem pé-nem-cabeça.


E você? Qual é a sua razão mais forte para aprender uma língua estrangeira?

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