• Noemia Colonna

Fazer da vida uma maratona

Entre minhas atividades físicas prediletas, correr nunca foi alternativa.
Mas admiro e compreendo facilmente a coragem e o esforço de quem se joga numa maratona, a fim de superar-se a si mesmo.

Em um domingo chuvoso berlinense acordei com batuques e olas saudando uma multidão de corpos de todos os tipos, cores e idades. Eram os participantes da Maratonona BMW de Berlim, uma das mais famosas no calendário mundial do esporte.


Cliquei esta vista do alto da minha janela. Friozinho e essa gente corajosa correndo.

Parte do percurso passava debaixo da minha janela, e pude sentir, de camarote, toda a energia vinda daquelas pessoas.


Uma senhora de uns 70 anos corria devagarinho, dentro de seu limite, elegante e confiante de atingir o desafio a que se propôs.


Vi um pai acompanhado da filha pré-adolescente correndo ao seu lado, orgulhoso de poder mostrá-la a força que a coragem e a persistência são capazes de produzir.


Corpos jovens, musculosos, vestidos com modernas indumentárias esportivas, corriam altivos, fazendo a chuva tornar-se apenas um detalhe do cenário que testemunhava seu triunfo.

Mais adiante, vi um homem de uns 60 anos, bem magrinho, asiático, já andando de lado, desidratado e combalido pelo super esforço que imprimiu ao corpo. É quando o organismo já não consegue suportar a ousadia do maratonista e emite o sinal de parar com câimbras e outros sintomas.


É realmente um show presenciar este esforço humano milenar.



A maratona é um dos esportes mais antigos da humanidade. Sua origem vem de uma lenda. O nome foi dado em homenagem ao soldado ateniense Fidípedes, um mensageiro do exército de Atenas. Diz que ele teria corrido 42 km entre o campo de batalha de Maratona e Atenas, para dar a notícia de que os gregos venceram a guerra contra os persas. Ao chegar ao seu destino, morreu de exaustão.


O continente africano, especialmente países como o Quênia e a Etiópia, é o que mais oferece os melhores maratonistas e corredores do mundo. De cada 10 maratonista das últimas Olimpíadas, 08 foram quenianos e etíopes.


Inclusiva, a beleza da maratona reside em dois aspectos que realçam a grandiosidade humana. O primeiro, é que ela só existe se tiver gente de todos os tipos, idades e composições físicas possíveis. O segundo, é que o principal objetivo dos milhares de maratonistas amadores não é chegar na linha primeiro, mas sim, chegar e inteiro.


Tal qual na vida, que possamos ser maratonistas de nós mesmos e, de preferência, em todas as edições.


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