• Noemia Colonna

Castelos de corpo e alma

Desde criança os castelos me fascinam. Não por causa de filmes ou lendas da Disney - na minha infância eu não tinha acesso a esse tipo de conteúdo, já que cresci em uma casa sem televisão, rodeada de muitos irmãos e repleta de livros - mas por que passei a infância e adolescência devorando os clássicos alemães dos irmãos Grimm.

Photo by Noemia Colonna - Vista lateral do castelo de Schwerin com a luz do pôr do sol

Eles me conquistaram com suas histórias de princesas melancólicas e bruxas maquiavélicas, gnomos espertinhos e pastores inocentes salvos de alguma cilada de bruxa por libertar um peixe enfeitiçado.


Quem não se lembra da história do gnomo saltador, o Rumpelstiltskin, e a maldição que recairia sobre a rainha caso ela não conseguisse adivinhar o seu indecifrável nome? Eu vibrava com essas fábulas alemãs tão cheias de fantasias, cujo cenário eram castelos, jardins e florestas.

Photo by Noemia Colonna - Parte do jardim. Imagine ver esta imagem da janela do castelo?!

Pois bem, foi em meio a essas narrativas que meu encanto por castelos começou. Hoje, adulta, cá estou eu decifrando enigmas e cruzando com peixes salvadores em florestas densas da terra dos irmãos Grimm, visitando meu primeiro castelo em Schwerin.


A pequena cidade é a capital do menor município alemão chamado Mecklemburgo-Pomerânia. Não é o fim do mundo, está a apenas 2 horas e meia de trem de Berlim e é lugar perfeito para uma escapada de fim de semana e para ler um bom conto dos Grimm embaixo de uma árvore frondosa e de frente a um castelo imponente.



Diga-se de passagem, a Alemanha é célebre por possuir mais de 20 mil castelos, sendo um dos mais famoso do mundo o Castelo de Neuschwanstein, localizado na região da Bavária, e que inspirou o castelo da Cinderela na versão Disney.

Photo by Noemia Colonna - O castelo de Schwerin visto do fundo. Olha que beleza de "quintal"!

Me impressiona a arquitetura dessas construções e como elas se posicionam. Não importa de que ângulo você veja um castelo, ele vai sempre se apresentar imponente, do alto da montanha onde foi edificado. Se você se posiciona ao sul, a visão do castelo é ladeado por lagos e espelhos d’água. Se ao norte, por jardins minuciosa e artisticamente bem cuidados. Ao leste, com a luz do pôr do sol dando um ar bruxuleante e mágico à sua fachada, e ao oeste, pelos raios de luz que se esgueiram por meio das folhagens verdes.

Até o cantinho discreto do castelo tem lá o seu charme!

E é curioso como isso me lembra pessoas. Gente que é gente-castelo. Não importa em que ângulo ela é vista, está sempre ali brilhando, se destacando, impressionando, encantando e seduzindo.

Photo by marido Luis Pimenta - A bela e seu castelo

Eu conheço um punhado de gente assim, castelo, e sou muito grata por ser rodeada por várias delas. Essas pessoas são o oposto dos castelos de areia e sua superficialidade; elas são profundas como um castelo de carne e osso, corpo e alma. Gente que eu sequer conheço pessoalmente, mas que me fazem vibrar e me encantar por suas histórias, feitos, atitudes, pensamentos e transformações.


Gente-castelo como os das histórias do irmãos Grimm que, magicamente, por anos, me encantaram e me impulsionaram a viver, de verdade, hoje, os contos que vivi na infância.

Meu pai foi um desses, castelo puro. Um cavalheiro que voltava de suas aventuras de trabalho duro como engenheiro agrimensor, depois de 3 a 6 meses longe da mulher e dos filhos, cheio de histórias e todo ouvidos para as nossas próprias histórias. As vezes ele brilhava ao sul, outras vezes, cansado, desanimado, cintilava ao norte, se reerguendo com o peito pra fora. Papai, sem saber, foi um gente-castelo para mim. Não importava de que ângulo eu o visse, lá estava ele, se destacando como uma edificação segura, imponente, belo.



Visitar o castelo de Schwerin, que foi o primeiro de uma série que pretendemos conhecer por aqui, me trouxe de volta à infância, e me mostrou que as vezes é bom a gente se comportar como .... um verdadeiro castelo. Não importa a posição ou o ângulo pelo qual te vejam, brilhe e imponha-se. Mesmo que te incendeiem, como aconteceu com a maioria dos castelos alemães, que você se reerga com a ajuda de muitas mãos, e siga maravilhando todos os que apreciam e se transformam com a beleza de sua imponência real.


E você, quais castelos prefere estar rodeada? Os de areia ou os de carne osso?


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